Visita guiada no Paço Imperial

Sábado foi dia de participar da visita guiada nas três exposições que acontecem no Paço Imperial: Imagética da Ana Vitória Mussi, com curadoria de Marisa Flórido; Espaços Articulados de Paulo Roberto Leal com curadoria de Claudia Saldanha e Glossário dos Nomes Próprios de Alex Cerveny com curadoria de Renato Rezende. Confesso que não conhecia nenhum dos trabalhos e fazer uma visita mediada com os artistas e curadores, já é uma excelente oportunidade para adentrar um pouco nos trabalhos e conhecer algumas curiosidades que permeiam o processo criativo desse artista e um breve recorte histórico. unnamed1 A exposição Imagética é uma retrospectiva dos principais trabalhos da artista Ana Vitória Mussi e levanta a questão dos “inúmeros caminhos que o artista percorre em relação à imagem fotográfica”, o qual pode ser percebido ao adentrar pela exposição. O interessante da proposta é que a artista se apropria dos instrumentos da fotografia para de fato acontecer, seja através dos envelopes feitos para guardar os negativos dispostos em um mural, onde podem ser lidos aqueles signos determinados para lembrar o registrado, como as imagens capturadas da televisão para tratar a questão do bombardeio de imagens com conteúdo de violência, tornadas banais aos nossos olhos. A curadora lembrou de uma anecdota que fez a conexão direta com essa projeção de imagens sobre a II Guerra Mundial. Foi o pai da artista quem deu o ponta pé inicial nesse trabalho, já que era o dono de um pequeno cinema, no estilo art nouveau e ela esteve em contato com uma grande quantidade de rolos de filmes, permitindo-a de questionar a violência presente. É um certo saudosismo do Cinema Paradiso impregnado neste trabalho. Por outro lado, na penúltima sala, teve uma obra que me chamou a atenção, Ilha, registro feito na Lagoa Rodrigo de Freitas, mas que não parece ser ela e que traz uma sensação de paz, contemplação e resignificação da vida.

Ana Vitória Mussi - Mergulho da Imagem

Ana Vitória Mussi – Ilha

unnamed A visita guiada pela exposição Espaços Articulados de Paulo Roberto Leal foi conduzida pela curadora e diretora do Paço Imperial Claudia Saldanha, quem apresenta o trabalho do artista ligado à questão do tempo e do perecível, através das obras feitas de papéis articulados. Entretanto, entre as obras apresentadas, existem um quadros pintados com as cores primárias (amarelo, azul e vermelho), em diferentes tamanhos, que podem ser montados conforme a sua vontade, já que não obedecem a um parâmetro de montagem rígido.

Paulo Roberto Leal

Paulo Roberto Leal

A curadora Claudia Saldanha fez menção a uma obra que contém um cubo preto, um cubo branco e um cubo vermelho, a qual foi montada conforme o registro fotográfico fornecido pelo Museu de Arte Moderna, instituição museológica que cuida do acervo do artista. Entretanto, Armando Mattos, detentor dos documentos do artista, informou que essa obra nunca deveria ser montada assim, que deveria ser embaralhada e montada deixando espaços entre eles para poder ver as laterais pintadas das obras. O que pode ser percebido que até na decomposição da obra é possível perceber essa nitidez estética no final de contas.

Paulo Roberto Leal

Visita guiada pelas obras de Paulo Roberto Leal

Por outro lado, a curadora lembrou que o artista Paulo Roberto Leal participou da 36º Bienal de Venezia e a obra com a qual participou se encontrava exposta, era um muro preenchido por diversas telas de quadros, recortadas em quadrados, pintadas na cor douradas. Pelo que se conhece da obra do artista, existem duas curiosidades, a primeira é que a maioria dos títulos das obras fazem referência à natureza do Rio de Janeiro e segundo, que uma das obras encontradas é um cubo grande de metal que provavelmente tem ligação direta com o trabalho de Helio Oticica. unnamed2 Para finalizar a visita, o artista Alex Cerveny contou um pouco sobre a sua inspiração para o trabalho exposto: Glossário dos Nomes Próprios. A principio, tem duas vertentes geográficas, mas que de certa forma se unem em um determinado ponto, já que ele trata da questão da sexualidade do homem. No inicio do salão, é possível avistar uma caixa de madeira com um bebê tocando a genital masculina, a qual foi encontrada pelo próprio artista em sua andança pela cidade de Belém do Pará e, imediatamente, remeteu-o à teoria de Freud quando explica que a caixa de música é a genital feminina. Pois bem, justamente, por isso inicia seu trabalho escrevendo um glossário com todos os nomes da nossa existência a partir da criação de Adão e Eva. Logo, é avistada uma sala apenas de desenhos que representam um ermitão disposto em cada ilha existente dentro da Baia da Guanabara, mas que teve sua partida na China, quando encontrou esses pergaminhos de papel de arroz e começou a trabalhar secretamente nesses desenhos, remetendo-se à sua adolescente pelo fato de que o trabalho que estava sendo feito deveria ficar em segredo até sua conclusão. Por outro lado, o artista mergulhado no seu fantástico mundo, tentou de certa forma que o público interagisse na exposição ao colocar umas “réplicas” dessas sete ilhas e se tornarem esses ermitãos.

Alex Cerveny - Glossário dos Nomes Próprios

Alex Cerveny – Glossário dos Nomes Próprios

Aproveita a exposição! Fica aberta até o dia 07 de junho de 2015 no Paço Imperial, Praça XV de Novembro, 48, Centro, Rio de Janeiro. http://www.pacoimperial.com.br/index.php

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